Os sete certos da logística

  1. Lógica de inventário e de gestão de stocks

A logística trata das questões da gestão de materiais, sejam bens finais, produtos semi-acabados ou matérias-primas, quer se encontrem em movimento quer estejam parados (em stock). Significa, portanto, que numa lógica de inventário a logística trabalhará a questão dos fluxos de produtos e, como para trabalhar fluxos físicos carece de fluxos de informação, acabará por se tornar responsável pela gestão dos fluxos físicos e informacionais.

Por outras palavras:

Logística é a responsável pela gestão dos fluxos físicos e de informação, qualquer que seja a condição do fluxo: activo ou inactivo, em movimento ou parado.

Na ótica da lógica de cliente

A logística pretende conseguir o produto certo, para o cliente certo, na quantidade certa, na condição certa, no lugar certo, no tempo certo e ao custo certo.

  1. Lógica militar

Como já referi em artigos anteriores, e provavelmente a lógica que aparecerá em muitos dicionários e enciclopédias, a logística será a parte da ciência militar que está directamente ligada à procura, manutenção e transporte dos materiais, pessoas e instalações.

Poder-se-á pensar na abrangência que poderá adquirir a Logística se vista à luz de uma interpretação militar relativamente livre.

Numa lógica de utilidade e de valor a Logística está relacionada com a possibilidade de providenciar utilidade de tempo e lugar (leia-se valor), entre outras, às matérias-primas, produtos em via de fabrico e produtos finais no sentido de procurar atingir determinados objetivos empresariais.

Nesta perspetiva, os produtos (mas também os serviços e soluções) a disponibilizar ao mercado deverão estar providos de suficientes caraterísticas e/ou componentes Logísticas de maneira a que os clientes estejam dispostos a pagar por eles, a dar dinheiro (valor) em troca (efetivar a transação) de produtos, serviços e soluções que são valorizados / valorizáveis também por via dos atributos logísticos que compreendem.

  1. LÓGICA dO COUNCIL OF SUPPLY CHAIN MANAGEMENT PROFESSIONALS

Sublinha-se, a «Logística ou Gestão Logística é apresentada como a parte da Cadeia de Abastecimento que é responsável por planear, implementar e controlar o eficiente e eficaz fluxo directo e inverso e as operações de armazenagem de bens, serviços e informação relacionada entre o ponto de origem e o ponto de consumo de forma a ir ao encontro dos requisitos/necessidades dos clientes».

  1. Lógica da cadeia de valor

Conforme Porter em 1985, ou das actividades primárias e secundárias, a Logística aparece como a gestão do abastecimento (inbound logistics ou logística de entrada) e como a gestão da distribuição ao cliente (outbound logistics ou logística de saída), ambas consideradas como actividades primárias na geração de valor (margem) empresarial.

  1. Lógica funcional ou de gestão funcional

A Logística apresenta-se como um conjunto de atividades que vão desde a determinação dos requisitos dos materiais (especificações) de que a empresa necessita de se abastecer, sejam eles produtos finais, produtos em vias de fabrico ou matérias-primas, às atividades de abastecimento propriamente ditas, à armazenagem desses materiais, ao seu manuseamento, à sua embalagem, à análise, desenho e redesenho das localizações das instalações (pontos de consolidação e desconsolidação de cargas, pontos de centralização de inventários e ou de armazenagem e fábricas, entre outros), a todas as atividades de distribuição física, às atividades de Logística inversa, à gestão da informação de todo o ciclo de encomenda, direto ou inverso, ao serviço ao cliente e a todas as demais atividades que estejam relacionadas com o suporte ao cliente, seja o cliente interno à empresa seja o cliente externo à mesma.

  1. Lógica de serviço

Apresenta-se como a gestão de fluxos, também físicos (de pessoas) e de informação, não por emergência de uma ligação ao inventário ou stocks mas, de facto, pela ligação à capacidade instalada no sistema, a capacidade de providenciar um determinado serviço numa determinada unidade de tempo, remetendo para os clientes esperados (ou os clientes certos via segmentação de mercados), na quantidade certa, com chegadas ao sistema de serviço no tempo certo e podendo ser servidos a um custo certo (custo mínimo empresarial).

  1. Lógica do senso comum

A Logística incorpora todos os detalhes relativos a uma determinada operação, processo ou actividade.

Nesta fase torna-se importante especificar de forma mais concreta o que se entende por gestão de fluxos físicos e de informação?

O que significa servir o cliente?

O que significa ser eficiente e eficaz?

O que significa fluxo direto e fluxo inverso?

O que significam pontos de origem e de destino?

O que significa a preocupação com materiais, sejam eles produtos finais, produtos em vias de fabrico ou matérias-primas?

O que significa incluir o sourcing, o procurement e a transformação?

São todas estas expressões e conceitos, bem como os demais presentes nas definições supra apresentadas?

Nas próximas linhas tentaremos encontrar uma justificação global, quiçá integrada, e, quando possível e necessário, particular, para todas e cada uma destas questões, expressões e conceitos no sentido de os clarificar.

Considera-se como central, de entre as definições anteriores, aquela que remete a Logística ou a Gestão Logística para a gestão de fluxos físicos e de informação.

Não apenas porque ela emerge de uma lógica de inventário ou de stocks (incluindo, indiretamente, a dimensão custo).  Mas essencialmente porque é uma definição agregadora de todas as outras.

Proveniente de uma lógica de inventário ou de stocks inclui, indiretamente, a necessidade de proporcionar serviço ao cliente. E o serviço ao cliente surge pela emergência de um foco a jusante, que atravessa, ou deve atravessar, toda a organização (a perspetiva de fluxos é transversal, direcionada ao mercado). De facto, gerem-se fluxos físicos e informacionais com o objetivo de servir o cliente, seja ele interno, seja externo à organização.

Assim gerem-se fluxos físicos e informacionais para dotar os produtos, serviços ou soluções oferecidas aos clientes de atributos logísticos que possam ser considerados como geradores de valor e em sintonia quer com a Cadeia de Valor de Porter, quer com a lógica da definição apresentada pelo Council of Supply Chain Management Professionals.

Note-se

Os fluxos físicos e informacionais

Sabendo que a Logística, nas empresas mais funcionais ou organizadas de forma mais vertical/funcional, ao apresentar a tendência para aparecer como uma área departamental vertical responsável por um grupo de actividades (organizada como mais um bloco/caixa organizacional num organograma funcional), convém não se esquecer quer a sua abrangência quer a necessidade de preservar a sua verdadeira natureza: ao procurar balancear e gerir trade-offs a logística apresenta, incontornavelmente, um carácter de atravessamento funcional, onde importa gerir trade-offs e consensos entre as diversas áreas funcionais, direccionando, os esforços para o mercado.

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